secretaria@casadeaprendizagens.com.br
Agende uma Visita

Pedagogia Reggio Emilia

Princípios, história e como aplicamos essa abordagem na Casa de Aprendizagens.

Matrículas Abertas WhatsApp

O que é a abordagem Reggio Emilia

A Pedagogia Reggio Emilia nasceu na cidade de Reggio Emilia, na região da Emília-Romanha, norte da Itália, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Em meio à devastação do pós-guerra, um grupo de famílias da vila de Villa Cella decidiu construir, com as próprias mãos, uma escola erguida sobre os escombros deixados pelo conflito — parte do financiamento veio, segundo relatos históricos, da venda de um tanque de guerra, um caminhão e alguns cavalos abandonados pelas tropas em retirada.

Foi nesse contexto que um jovem professor chamado Loris Malaguzzi soube da iniciativa e se juntou a ela. Ao longo das décadas seguintes, Malaguzzi se tornaria a principal referência intelectual por trás do que hoje conhecemos como abordagem Reggio Emilia — não como um método fechado, com manual e passo a passo, mas como uma filosofia educativa em constante construção, alimentada pela escuta atenta às próprias crianças.

O momento histórico importa para entender a essência da proposta. Reconstruir uma comunidade destruída pela guerra exigia mais do que reerguer prédios: exigia reconstruir a confiança das pessoas em si mesmas, na coletividade e no futuro. Não por acaso, a educação das crianças pequenas se tornou símbolo dessa reconstrução — investir na infância era, literalmente, investir na reconstrução de um povo.

A partir da década de 1960, as escolas municipais de Reggio Emilia começaram a ganhar reconhecimento fora da Itália. Em 1991, a revista americana Newsweek chegou a apontar a rede de escolas de Reggio Emilia entre as mais avançadas do mundo em educação infantil. Desde então, educadores de diferentes países passaram a estudar, adaptar e dialogar com os princípios dessa abordagem — entre eles, a Casa de Aprendizagens, em Perdizes, São Paulo.

Hoje, a rede municipal de Reggio Emilia continua funcionando na própria cidade italiana, mantida pela prefeitura e coordenada pela Fundação Reggio Children — criada justamente para preservar, pesquisar e difundir o legado de Malaguzzi após sua morte, em 1994. É essa fundação que promove intercâmbios, formações e a itinerância da exposição "As Cem Linguagens da Criança" por diferentes países, incluindo o Brasil, aproximando escolas latino-americanas — como a Casa de Aprendizagens — dessa fonte original de pesquisa pedagógica.

Loris Malaguzzi

Princípios centrais

Reggio Emilia não é um kit de materiais nem uma grade curricular fechada — é uma forma de compreender a infância e de organizar o cotidiano escolar em torno dela. Reunimos aqui os cinco princípios mais estruturantes dessa abordagem.

As Cem Linguagens da Criança

Um dos conceitos mais conhecidos de Malaguzzi vem de seu poema "As Cem Linguagens da Criança": a ideia de que toda criança nasce com cem formas diferentes de pensar, expressar-se e compreender o mundo — pelo corpo, pelo desenho, pela música, pela construção, pelo jogo simbólico, pela fala, e muito além. A escola tradicional, segundo Malaguzzi, costuma "roubar" 99 dessas linguagens, valorizando quase exclusivamente a linguagem verbal e lógico-matemática. Reggio Emilia propõe o oposto: multiplicar as oportunidades de expressão, entendendo a criança como potente e produtora de cultura desde o nascimento.

O Ambiente como Terceiro Educador

Para Reggio Emilia, o espaço físico não é neutro — ele educa tanto quanto um adulto ou um colega. Por isso, os ambientes são organizados com extremo cuidado: luz natural, materiais acessíveis à altura da criança, espelhos, plantas, cantos de silêncio e cantos de encontro. Cada escolha estética e funcional comunica valores sobre o que se espera da criança ali dentro — autonomia, curiosidade, respeito. É esse conceito que dá nome ao princípio do "ambiente como terceiro educador", ao lado dos educadores humanos e das próprias famílias.

Documentação Pedagógica

Diferente de um simples registro de atividades, a documentação pedagógica em Reggio Emilia é uma ferramenta de investigação: fotos, vídeos, transcrições de falas e produções das crianças são reunidos, analisados coletivamente pelos educadores, e devolvidos às próprias crianças e famílias como matéria de reflexão. Documentar torna visível um processo de aprendizagem que, de outra forma, poderia passar despercebido — e também responsabiliza o educador a justificar, com evidências, as escolhas pedagógicas feitas ao longo do caminho.

O Ateliê e a Linguagem da Arte

Nas escolas de Reggio Emilia, é comum encontrar um ateliê — espaço dedicado à experimentação com materiais expressivos, geralmente conduzido por um educador com formação artística, chamado de atelierista. A arte, nessa abordagem, não é atividade extracurricular ou "hora do desenho": é uma das cem linguagens, uma ferramenta cognitiva tão legítima quanto a escrita para investigar, representar hipóteses e comunicar descobertas. O ateliê funciona como laboratório de pensamento visual, onde ideias abstratas ganham forma concreta através de tinta, argila, fios, sucata e luz.

Trabalho em Projetos (Progettazione)

Em vez de um currículo fixo, definido integralmente antes do ano letivo começar, Reggio Emilia trabalha com a chamada progettazione: um planejamento flexível, construído e ajustado continuamente a partir dos interesses reais das crianças. Um projeto pode nascer de uma pergunta espontânea, de uma observação no pátio, de uma dúvida levantada em roda. Os educadores documentam essas pistas, formulam hipóteses sobre onde a investigação pode levar, e ajustam o percurso — sem abrir mão de intencionalidade pedagógica.

Como a Casa de Aprendizagens aplica esses princípios

A Casa de Aprendizagens não apenas se inspira em Reggio Emilia como referência teórica distante — mantém uma conexão institucional direta com a rede que representa essa abordagem no Brasil. Nossa Diretora Fundadora, Rosa Bertolini, é Presidente da RedSOLARE Brasil, a Rede Solidária de Reggio Emilia para a América Latina, responsável por difundir a abordagem, formar educadores e sustentar o diálogo entre escolas brasileiras e o Instituto Reggio Children, na Itália. Essa proximidade institucional se traduz em prática pedagógica cotidiana, não apenas em discurso.

Os princípios de Reggio Emilia dialogam diretamente com os três pilares que sustentam nossa proposta pedagógica: Arte, Autoconhecimento e Democracia. A valorização das cem linguagens da criança encontra eco direto no pilar da Arte, presente em nossos ateliês e em atividades como dança, música e artes plásticas desde a Primeiríssima Infância. O reconhecimento da criança como sujeito potente e capaz de refletir sobre si mesma dialoga com o pilar do Autoconhecimento. E a ideia de que a escola é também um espaço de convivência, escuta e construção coletiva — presente nas Assembleias das Crianças e no Conselho Participativo de Pais — encontra correspondência direta no pilar da Democracia.

A Documentação Pedagógica, um dos pilares metodológicos de Reggio Emilia, já é parte estruturante do cotidiano da Casa de Aprendizagens. Registramos fotos, falas e produções das crianças, analisamos esses registros coletivamente entre educadores, e compartilhamos interpretações com as famílias em um processo contínuo de diálogo. Essa mesma lógica orienta a Pedagogia de Projetos que estrutura o trabalho da Casa do berçário ao Ensino Fundamental I, sempre a partir de Temas Provocadores de Experiências Investigativas construídos com as próprias crianças.

Rosa Bertolini

Rosa Bertolini dedica parte significativa de sua atuação à formação de educadores dentro e fora da Casa de Aprendizagens, levando os princípios de Reggio Emilia — e trazendo de volta experiências de outras escolas latino-americanas — através da RedSOLARE Brasil.

Rosa Bertolini Diretora Fundadora — Casa de Aprendizagens
Presidente da RedSOLARE Brasil
Site: redsolare.org.br/

Reggio Emilia, Montessori e Waldorf: o que muda

É comum famílias pesquisarem Reggio Emilia ao lado de outras abordagens pedagógicas conhecidas. As três compartilham uma visão respeitosa da infância, mas partem de caminhos diferentes — nenhuma é "melhor" ou "pior" que a outra, apenas resolvem perguntas distintas sobre como uma criança aprende.

Reggio Emilia e Montessori

A pedagogia Montessori, desenvolvida pela médica italiana Maria Montessori no início do século XX, organiza o ambiente em torno de materiais sensoriais específicos, com um uso "correto" pretendido para cada um deles, permitindo que a criança trabalhe de forma individual e autodirigida em seu próprio ritmo. Reggio Emilia, por sua vez, valoriza mais os materiais abertos e não estruturados (as chamadas "peças soltas"), o trabalho coletivo em pequenos grupos, e a investigação guiada por perguntas que emergem das próprias crianças, em vez de sequências predefinidas de materiais.

Reggio Emilia e Waldorf

Já a pedagogia Waldorf, criada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner em 1919, baseia-se na antroposofia e dá grande destaque ao ritmo, à repetição, à imaginação e às narrativas, geralmente adiando a alfabetização formal e limitando o contato com tecnologias digitais. Reggio Emilia não parte de uma base filosófica ou espiritual específica: sua referência é a escuta ativa da criança real, documentada e interpretada continuamente, sem uma cosmovisão fixa a seguir — o que torna a abordagem mais aberta a se transformar com o tempo e o contexto local de cada escola.

Conheça como aplicamos isso em cada fase

A Pedagogia Reggio Emilia não é uma teoria abstrata guardada em documentos — ela se transforma, todos os dias, em prática concreta dentro da Casa de Aprendizagens, de um jeito diferente em cada fase do desenvolvimento infantil. Na Primeiríssima Infância, ela aparece no respeito ao tempo motor do bebê e na escuta sensível dos primeiros gestos. Na Educação Infantil, floresce em ateliês, projetos investigativos e no protagonismo crescente da criança. No Ensino Fundamental I, amadurece em pesquisa científica real e protagonismo do estudante como sujeito do próprio saber.

Matrículas Abertas